03 Fev

2016

A DANÇA CONJUGAL

O relacionamento conjugal é, sem dúvida alguma, o mais intenso, vibrante, caloroso e dramático dos relacionamentos interpessoais. Em outras palavras, se ele fosse uma espécie de dança, certamente seria um tango. Tal singularidade tem levado os brasileiros a se casarem mais. Só em 2007 foram registrados 916.006 casamentos, quase 3% a mais do que no ano anterior. Não obstante a isso, foram registradas 231.329 dissoluções conjugais segundo o IBGE. Ou seja, a cada quatro casamentos realizados em nosso país um é desfeito. Mas por quê? O que isto significa? De maneira geral isto significa que temos perdido a capacidade de nos relacionarmos bem. Ou pelo menos que temos perdido a capacidade de nos relacionarmos de maneira profunda e duradoura. Normalmente, começamos bem, mas terminamos mal. Rejeitamos a solidão, mas não sabemos como lidar com o custo de uma vida a dois. 

Em Efésios 5:22-33 o apóstolo Paulo nos apresenta dois princípios indispensáveis para quem deseja romper com a barreira da superficialidade afim de levar o relacionamento conjugal a níveis mais profundos de consistência e maturidade. Um é dirigido às mulheres e o outro é dirigido aos maridos. 

O primeiro princípio é o da submissão: “Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como ao Senhor”. Diante desse princípio, céticos e feministas chegam à beira de um ataque de nervos. Não entendem como em plena era do desenvolvimento ainda exista gente capaz de dar ouvidos a conselhos tão “caducos, arrogantes e machistas” como esse. Tal rejeição parte de uma compreensão errônea a respeito do que vem a ser a submissão. Na perspectiva popular, a submissão é fruto do poder e instrumento de opressão: “Manda quem pode, e obedece quem tem juízo”. Mas numa perspectiva bíblica, a submissão é fruto do amor e fonte de sabedoria: “O caminho do insensato é reto aos seus próprios olhos, mas o que dá ouvidos ao conselho é sábio” (Provérbios 12:15). Por isso, o convite à submissão é tão amplamente feito nas Escrituras: dentro da comunidade cristã (“Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo” - Efésios 5:21), dos filhos em relação aos pais (“Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isto é justo” - Efésios 6:1) e até mesmo em relação aos líderes espirituais (“Obedeçam aos seus líderes e submetam-se a autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas...” – Hebreus 13:17). Tudo isso baseado no exemplo do Deus Filho que se submeteu ao Deus Pai e nem por isso se tornou inferior a ele (Filipenses 2:8). Destacamos ainda, que o princípio da submissão da mulher não é requerido em relação a todos os homens e em todos os ambientes, como se a mulher não pudesse exercer liderança na empresa, na política ou na igreja. Antes, aos maridos, no ambiente familiar, ambiente esse onde Paulo estabeleceu um outro princípio inseparável a este. Vejamos: 

O segundo princípio é: “Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela”.  Mas por que o amor é requerido por Paulo neste momento apenas dos homens? Porque, de maneira geral os homens são mais voltados a si mesmos e mais estreitos em servir do que as mulheres. Ou seja, Deus não os colocou como líderes em seus lares pelas virtudes que possuem, mas pelas características que deseja imprimir neles ao longo da vida. O padrão do amor requerido aos maridos tem um modelo: “assim como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela”. Para entendermos isto, nada melhor que resgatarmos o que o próprio apóstolo Paulo disse à igreja de Filipos:  “(Cristo), embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte e morte de cruz!” (Filipenses 2:6-7). Enquanto Cristo, que era Deus, não considerou isto como algo ao qual devia apegar-se, há maridos que não são deuses, mas vivem como se fossem um: mandam, exigem, cobram, ameaçam e decidem apenas em benefício próprio. Maridos que desejam agir como Cristo assumem a posição de servos e amam suas esposas a ponto de darem suas próprias vidas por elas. A fim de exemplificar isto Paulo deu três dicas bastante práticas: maridos devem amar suas esposas cuidando integralmente de suas necessidades (físicas, emocionais e espirituais), priorizando-as acima de todas as demais pessoas e unindo-se a elas de maneira total e irrestrita (Efésios 5:26-31). Curiosamente, esta não deixa de ser uma forma de submissão: a submissão dos homens às suas mulheres. 

Todo relacionamento conjugal amparado por esses dois princípios tem muito mais resistência contra as tempestades que normalmente intentam contra um casal. E por isso se perpetuam, não como relacionamentos aparentes e sem brilho, mas como relacionamentos intensos e prazerosos que estão sempre por colher os melhores frutos. 

Renato Camargo Jr.
Pastor da Comunidade Campolim, em Sorocaba/SP (renato@comunidadecampolim.com.br).
Diretor do Centro de Treinamento para Plantadores de Igreja (CTPI - renato@ctpi.org.br).